sábado, 14 de novembro de 2009

O Tempo...

Eu não vou dizer que não escrevo há tempos por falta de tempo. Não. Não existe isso, ou pelo menos eu não acredito nisso. A gente deixa de fazer uma coisa porque priorizou outra, simples assim. Meu violão tá pegando pó porque eu não estou a fim de tocar, nos últimos tempos. Meu blog também tá pegando pó, mesmo que, vez por outra, eu poste algo aqui.

Tempo, tempo, tempo. Uma resposta ao tempo. O tempo nunca me falta, eu é que falto com ele. Eu o uso para trabalhar muito ou, às vezes, olhar pro teto. Sem culpa e sem medo. Todo mundo tem tempo. O que difere um do outro é o que a gente faz com o tempo. Como distribui o tempo durante o dia.

Abro-me em "mea culpa". Muitas coisas eu gostaria de fazer mas não priorizo dentro do meu tempo. Às vezes prefiro quando chega à noite, fumar um cigarro na janela, olhando pro céu escuro, sentindo a brisa fresca e me abster de qualquer pensamento. Não é uma religião mas é uma espécie de meditação.

Meditar é esvaziar a mente. Não é impedir que pensamentos cheguem, mas permitir que eles partam. E eu tenho feito isso no meu tempo ocioso: simplesmente não penso.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

De Chico...


Vai de Chico, vai? Escolha melhor não há. Dá pra postar misturando Chico e dizer tudo o que a gente quer. Quer ver?

Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há, mas eis que chega a Roda Vida e carrega a roseira pra lá. A gente tenta, tenta, tenta e algo desaparece e leva junto o que a gente quer que fique. No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar. Ah, essa mulher cantada em verso e prosa. Quem é ela? Quem é essa mulher que canta sempre esse lamento: só queria lembrar o tormento que fez o meu filho suspirar. A morte que leva a outra parte e nos deixa aqui sem um pedaço. E a saudade, essa saudade que é pior que o esquecimento, pois dói um só lamento e nunca passa.

Temos permissão de viver? Temos a consessão pra sorrir? Ah, bom. Deus lhe pague por isso. Deus lhe pague por podermos ser simplesmente o que somos, ter simplesmente o que temos. É meu caro amigo, o Brasil é uma lambança sem fim. E parece que não mudou desde a última carta, pois aqui na terra tão jogando futebol, uns dias chuve, noutros dias bate sol. E a gente vai levando a seco mesmo. Mesmo com tudo isso, mesmo com todo o problema, com o nó no peito, a gente vai levando. Ninguém sabe como, mas a gente vai levando. Na correria. Na carreira.

Pular como um furtivo amante antes do dia clarear. Sair de soslaio, sem ruído. Mas o corpo quer ficar enquanto a alma do artista quer partir. Mas pra onde se não temos pra onde fugir? Somos todos grandes malandros. Sem samba ou com samba somos da nata dessa terra brasilis. Continua dando malandro em tudo o que é canto, malandro candidato a malandro federal, com gravata, com capital e que nunca se dá mal. É tudo profissional, mermão!

Apesar das olimpíadas de 2016, o Rio continua do mesmo jeito, muito menos musical e mais marginal. Será que dá pra mandar uma notícia boa?De qualquer forma, pros dá pesada diz que eu vou levando, de um jeito ou de outro.

Eu só sei que falava e cheira e gostava de mar. O mar é lindo, infinito e expansivo. Mas o olhar da gente ao ver o mar, fica longe, muito longe. Trocando em miúdos é mais ou menos como deixar as sobras e levar as sombras. Saudade. Palavra que só existe por aqui, com o sentido que só tem aqui. O choro de Juliana, de ciclana e de beltrana. Nerudas ainda por ler.

O cotidiano que nos martiriza dia a dia. Tudo é sempre igual, e quanto mais o tempo passa, mais igual fica. A gente faz tudo igual, na mesma hora, do mesmo jeito. Reparou? Poucas são as que sempre estão muito loucas pra beijar, pois o beijo é sempre igual. Mesmo assim eu te perdoo por mentir pra si mesmo. Eu me perdoo por mentir pra mim também. Eu perdoo por fazer do ato de perdoar uma extração de coração, de arrancar o peito.

Se você quer mesmo saber o por que disso tudo , confesso que não sei. Só sei que o Chico faz uma tradução simultânea da minha vida. Toda ela está contina nele e mesmo quando não percebo, eu sou o sujeito da frase. Por que a gente quer alguém que resita, mas se acostume, que nos sorria, que se enfeite pra nos seduzir, que nos traia e nos peça perdão, que nos cegue, que nos siga, cegas e sem medo. De qualquer maneira. Ou de todas. Corte, pois há palavras que foram feitas pra sangrar. Só nos resta deixar o sangue fluir ou se esvair. Tanto faz. Pois as palavras simplesmente sairam sem serem notadas. Sem serem lidas. A leitura é um previlégio (ou não) do leitor, não do escritor.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Que país é este?

Empreender neste país chamado Brasil é um trabalho para o super homem. Talvez seja por isso que a maioria absoluta da população brasileira fique no seu cantinho, deixando seus sonhos adormecidos. Tá ruim, mas tá bom. Tá ruim porque o chefe é um chato, porque o salário é baixo, porque a jornada é dura. Tá bom porque o salário é baixo mas cai na conta todo mês. Tá bom porque o chefe é chato, mas é mais chato não ter trabalho. Tá bom porque a jornada é dura, mas existe, pior seria ficar em casa sem salário, sem jornada e sem chefe. É a famosa zona de conforto dos brasileiros. Reclamam mas não tiram a bunda da cadeira pra mudar nada. Aquele teu sonho de infância, ficou lá trás, perdido e abandonado.

Às vezes cansa sonhar. Às vezes é muito duro sair da zona de conforto e mudar, dar uma guinada de 180 graus na vida. A burocracia que impera e emperra o nosso país, a corrupção deslavada e descarada do funcionalismo público. Se você não molha a mão de um filho da puta de um fiscal, você vai passar anos na fila de espera. Eu prefiro esperar que sustentar vagabundo com o meu dinheiro suado. O mais triste é ver que somos nós, os brasileiros que esmerdiamos o país, que colocamos picaretas pra legislar, corrupto pra governar e bandidos pra executar.

Tirar o seu sonho da gaveta e colocar em prática, dar emprego pros outros, gerar um ativo social que proporcione bem-estar às pessoas é foda. É remar contra a maré. Você paga o seu imposto pra que? Eu te digo pra que. Para ter que pagar seguro de carro, seguro de vida, seguro médico, e previdência privada.

E ainda tem imbecil que fica feliz em pedir Nota Fiscal Paulista para concorrer a prêmios, esquecendo-se que o estímulo da arrecadação vai direto pro bolso de bandido de gravata e paletó. Brasileiro fica feliz com a possibilidade de ganhar na mega sena e de se aposentar. Boa parte dos candidatos a cargos concursados não estão em busca de realização profissional. Estão em busca de mamar nas tetas do governo, com aposentadoria integral e estabilidade no emprego. Isso tudo as nossas custas, a de cidadãos como você e eu. Ou de cidadãos melhores que nós dois.

A revolução feminina que contribuiu para que as mulheres fossem ao mercado de trabalho, acumulando as funções de mães, e tendo que trabalhar como homens, com a energia masculina. Conheci muitas mulheres em bons cargos nas empresas, mas infelizmente eram homens de saia. Ao invés de contribuir com a sociedade dando um toque de feminilidade dentro dos antros das empresas, viraram homens. Perderam a chance de mudar. Com raras exceções, mulheres ganham menos, e pouquíssimas chegam a altos cargos nas empresas. Negros idem. O ser humano perde a chance repetidas vezes de fazer a diferença, se tornando o mesmo hipócrita que recrimina.

O ser humano tem um padrão comportamental de um vírus, como disse o filme Matrix. Deus não criou o homem a sua imagem e semelhança, sorry. Se não, não seríamos o que somos, o que estamos nos transformando. O ser humano não merece o planeta em que vive. A Terra seria um planeta bem melhor sem nós...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Meu pai, jaboticabas e uma guariroba assassina...

Meu pai veio hoje me visitar no trabalho. Isso hoje em dia é até comum, pois o meu trabalho fica a um quarteirão da casa dos meus pais e irmãos e a um quarteirão da minha nova casa. Em São Paulo isso chama-se luxo ou simplesmente qualidade de vida.

Mas então, eu falava do meu pai. Ficamos conversando sobre seus planos de futuro. Vejam bem, ele vai fazer 81 anos na sexta-feira. Entre conversas e causos, ele de repente me conta que minha mãe trouxe de Minas um pedaço de Guariroba. Pra quem não conhece, Guariroba é um tipo de palmito amargo. Meu pai foi pegá-lo do chão, escorregou e deu com o peito em cheio na Guariroba. Tá com o peito doendo desde ontem e eu pedi para ele ir ao médico ver se a Guariroba não causou maiores estragos. Guariroba assassina, disse eu a ele. E ele: "Minha vingança foi comê-la por inteiro até lamber os beiços!"

Então a conversa evolui para o prêmio da mega sena. Se ganhasse, disse meu pai, compraria umas terras perto do Rio Grande, lá em Minas, do lado de lá do Rio, onde se atravessa por uma ponte antiga de ferro, que me lembro nas viagens à Uberlândia e Ituiutaba. Começou a citar o que gostaria de ter lá nas terras. Iria mandar buscar na Embrapa de Recife umas mudas de Coqueiro Anão, que, pelo nome, dá côco na altura do peito, nem precisa escalar. Também compraria mudas de guariroba, melancia, entre outras.

Mas foram as Jaboticabas que me chamaram a atenção. Disse ele que quando pequeno, no quintal da casa onde moravam, havia quatro pés de Jaboticaba e cada um era de um dos irmãos. A dele, com o passar do tempo, acabou se tornando a menor delas, meio que anã, mas que dava as melhores Jaboticabas. Eram tão grandes que era preciso girar a Jaboticaba para não estourá-la no pé. Gorda, preta, casca fina e com alguns rajados na ponta. Suculenta. Daquelas que soltam um sonoro ploft quando o dente as mordem.

Certo dia, minha vó tirou uma muda da Jaboticabeira dele e mandou para uns primos que tinham fazenda no interior de Minas. O fato é que a muda tornou-se uma frondosa Jaboticabeira que existe até hoje. Um dos sonhos do meu pai e mandar buscar de volta e replantá-la nas terras do Rio Grande.

Disse ele que não quer sementes, pois precisa de tempo pra crescer e se desenvolver. Prefere as mudas. Como se não fôsse viver mais tempo suficiente para apreciá-las e vê-las crescer. Bobagem. A saúde lhe tem sido previlegiada e entra ano e sai ano, ele parece mais forte. Não será uma guariroba assassina que privará meu pai de chupar sua Jaboticaba no pé, lá em suas (futuras) terras à margem do Rio Grande.

Isso me faz ver o quanto o tempo e a sabedoria acabam por buscar a felicidade em coisas tão simples, pois mesmo com um prêmio de milhões de reais, a vontade de meu pai é essa: um fértil pomar e uma casa na beira do Rio Grande. Carro? Pra que. Ele não vai querer sair de lá nunca...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Com açucar...

Ah, os sabores. Gosto do doce e de doces. Acho que desde pequeno. Lembro-me de um dia, ainda no berço (sim, eu me lembro!) mamei uma mamadeira pra lá de melada com açúcar. Lembro que passei mal à beça. Foi o meu primeiro contato com as coisas açucaradas. Minhas medidas sempre foram fáceis: 3 dedos de açúcar, 3 de ovomaltine e 3 de leite. Um melado só. Apesar disso, acho leite condensado doce demais pra mim. Ironias do paladar. Na verdade eu gosto de açúcar, isto sim. Não necessariamente de coisa muito doce. Ameixinha de queijo, por exemplo, dá enjoo. Pra quem não conhece esse doce, é praticamente igual à ambrosia de queijo, só que em bolinhas.

Gosto das misturas quente e frio. Petit Gateau, por exemplo, é uma coisa gostosa, mas no meu caso eu taco marshmallow em cima. Daí sim, fica bom. Bolo molhado com calda é tudo de bom. Se não é molhado eu mesmo molho naquela lambreca acima dos 3 dedos.

No fundo mesmo, eu tenho é um paladar infantil. Gosto de comida de criança. Adoro dadinho, jujuba, paçoca etc. Na área dos salgados, fico com massas e pizza. Adoro pizza a qualquer hora. E, iluminado que fui, nasci em São Paulo, o paraíso das melhores pizzas.

Como algumas coisas que ninguém acredita, só vendo. Chandelle Branco com farinha láctea e açúcar. Praticamente uma argamassa pra quem vê. Açúcar demais faz mal, né? Pois é. E eu nem engordo com tanto açúcar, mas talvez já esteja estragado por dentro. Parafraseando o Rei em seu cinquentenário: tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda. A gente começa gostando das coisas que engordam, depois das ilegais, depois das imorais e por fim, voltamos as que engordam mesmo. E aí ficamos. Porque? Sei lá. Talvez porque as ilegais e imorais a gente conta nos dedos as opções. Já as que engordam, faltam dedos.

Tem gente que só come o que faz bem pra saúde. Eu só como o que eu gosto de comer. Será que eu vou viver menos ou mais que os outros? Sei lá. Não importa. A única coisa que eu gosto e não como é carne, mas não porque faz mal, mas em respeito aos animais. O resto, como com prazer quase hedônico.

Mas ambos, o sal e o açúcar, tem seu lugar na história. Do sal veio o termo salário, pois era a moeda corrente entre povos antigos. Do açúcar veio uma das maiores relações comerciais entre a Europa e a América.

É a mágica entre os opostos. O claro e o escuro, o medo e a coragem, o sol e a lua, o doce e o salgado. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O equilíbrio dos opostos é que é o certo. Como diria Buda: “O caminho certo é o caminho do meio.

Portanto, após um deliciosa refeição salgada, atire-se numa sobremesa irresistivelmente doce. Afinal, a gente tem que equilibrar, não?

Bom apetite!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Piscando os olhos...

Num piscar de olhos coisas acontecem. As coisas mudam de direção, pessoas vão e vem, o que hoje é incerto, amanhã poderá ser o certo.

Este é o primeiro post que escrevo da minha nova casa. No momento escuto Bach e suas toccatas. Não sou um fã de carteirinha de música clássica, mas Bach, Vivaldi e outros contemporâneos do período barroco me dizem algo. Gosto de músicas melódicas e Bach é melódico. Músicas com altos e baixos, finais apoteóticos não me aprazem. Em Bach, a próxima nota é sempre aquela mais adequada, sem sustos ou suspensões. Ela flui como o meu rio. Detesto ópera. Acho ópera uma uma coisa esganiçada e perturbadora. Apenas algumas árias são dignas de nota. Carmem, A Flauta Mágica, entre outras. Mas apenas as árias. Mesmo nas árias, Bach acertou na corda, mais especificamente na 4ª. Ária na 4ª Corda de Bach é um deleite.

Outro dia ganhei dois ingressos para a Sala São Paulo, em um concerto de câmara de cordas. Acho lindo cordas, violinos, violas e cellos, mas sou ignorante sobre música clássica. A música termina, ninguém bate palmas, daí você percebe que a música não terminou, terminou o primeiro ato dela. Só lá na terceira terminada é que o povo aplaude. Eles conhecem a sequência da obra, eu não. Eu apenas me delicio pelas cordas. Pelo som impoluto que vai subindo pela acústica do teatro.

Música é melodia. O resto é harmonia. Por gostar de belas melodias, por isso mesmo, desde criança, gosto de música New Age. Mas veja bem, não é aquele tipo de música que fica em um tom só pra você meditar. É música de alta qualidade, feita por músicos de alta qualidade, com melodias de alta qualidade. As gravadoras Narada e Windham Hill são um exemplo de como New Age pode ser belo e surpreender. Não tem nada a ver com som de passarinho, golfinho ou chuva caindo. É música boa e da melhor qualidade.

A música sempre me chamou a atenção. Desde os 8 o violão já me chamava encostado na parede de casa. Herança da época adolescente de minha mãe. Com o tempo, eu fui dando um novo sopro de vida ao instrumento empoeirado e virou meu companheiro inseparável por anos. Tenho que ter um violão por perto, mesmo que seja só pra sabê-lo estar lá. Preciso ouvir alguns CDs de violonistas de vez em quando. Parece meio que vitamina. Alimento de alma, entende?

Não sei se dá pra entender. Só quem mexe com algum tipo de arte entende o que a arte nos faz. Seja música, pintura, escultura, literatura, dança, enfim, qualquer expressão artística é alimento, é pão, é chão.

Eu acho que a arte existe para que possamos extravasar nossas loucuras, nossos medos, desejos, coisas que guardamos no fundo da alma e, que só através da arte, podemos explodir como um vulcão.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Mundo giratório...

Quem espera um post filosófico com esse título, vai se frustar.

Eu tenho que reconhecer: estou completamente relapso com este blog, mas não será por muito tempo. Isso aqui é terapêutico, todos os blogueiros sabem disso. Mas nestes últimos tempos estou convivendo com questões de saúde, mudanças físicas e espirituais, responsabilidades novas, novos rumos, reforma, pessoas que vão, pessoas que veem, enfim, uma parafernália de coisas e todas acontecendo ao mesmo tempo. Por isso não consigo me concentrar no Errantes como eu gostaria. Mas prometo me redimir em breve, com novos posts, assim que o mundo parar de girar...

Abraço pra quem é de abraço, beijo pra quem é de beijo. Enfim, um porção de ósculos e amplexos ao gosto do cliente, digo, leitor.